Mil Dias – Kátia Freitas

Atravessei mil dias em silêncio

Gritei minha mudez, calei a voz

Vesti a calma típica dos lentos

E fui em marcha bem pouco veloz

Deixei caídas flores pelo chão

E recusei mil falsos brilhos, apaguei

Comi com olhos, boca, pele, mão

As letras, cores, sons que degustei

O que senti, o que eu vi, o que vivi ainda está aqui

Soprei eu mesma velas, naveguei

Abri-me em fendas, solo do sertão

Lancei à sorte lágrimas, reguei

E verbos eu desfiz em confissão

Testemunhei o fétido perfume

E pus-me em retirada, desertei

Beijei, ardente, a face do sublime

Parti do exato porto onde cheguei

O que senti, o que eu vi, o que vivi ainda está aqui

De toda fenda, meu poema, meu buquê

De toda escuridão, a minha luz

De toda lágrima, a minha fé

De todo silêncio, a paz

O que eu vi, o que senti, o que vivi ainda está aqui

Eu guardei pra ti


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