Contemporaneidade: a crise dos modelos sociais

Muitas vezes na infância ouvi falar em “no futuro isto…”, “no futuro aquilo…” vai ser diferente. (…) Passaram-se os anos e, esse futuro parece nunca ter chegado para umas coisas. Mas para outras, sim!

Assim, assumindo-se que o futuro seja o hoje, diria que vivemos num século marcado pela descartabilidade. Um momento no qual as coisas se prenunciam, nascem e se vão de uma forma tão efêmera que rapidamente são esquecidas.

A implicação disimages (1)to para a vida prática é que as coisas são descartadas sem que tenham sido plenamente vivenciadas. E isto se dá em decorrência da velocidade da informação, que tem provocado mudanças tão radicais na dinâmica das relações, que os fenômenos sociais parecem estar se tornado cada vez mais compactados.

Para adaptar-se à mudanças tão rápidas num mundo tão turbulento é preciso ter estrutura psíquica bem constituída. Esse aspecto, que é fundamental para a construção da personalidade do indivíduo é, de um modo geral, desenvolvido no ceio da família, com base no modelo de criação adotado pelos pais. Entretanto, quando esse modelo apresenta algum tipo de desconformidade com o “established”, oferece efeitos colaterais para os indivíduos a ele integrados.

Um deles é a ausência dos referenciais adquiridos na infância, que pode levar o indivíduo à uma inversão ou a uma desvaloração dos valores vigentes. Um exemplo disto é a confusão existente entre as questões psicológicas e religiosas, éticas e legais, políticas e filosóficas. Disto segue-se que, sendo o agir humano pautado pelo uso de modelos referenciais, pode-se atribuir à crise desses modelos, a subversão da sociedade.

A crise da família, entendendo-a como instância doadora de significado às relações particulares, provoca a crise da sociedade. É notório que hoje, a humanidade acumula mais crises do que soluções. Dessa forma, temos, por exemplo, a crise dos gêneros, a crise moral (vislumbrada pelo cenário político atual), a crise dos ídolos (que em sua maioria são desprovidos de bom senso), etc.

Nesse sentido, num momento em que se prega, cada vez mais, a libertação dcubo-surrealistao homem; em que as possibilidades de se ser/fazer o que se quer nos são dadas de forma tão múltiplas, escolher torna-se cada vez mais difícil. Tudo isso aponta também – e, principalmente, – para a crise do “Eu”. Pois, como os referenciais individuais devem estar validados por um modelo cultural universal, o “Eu” não pode se constituir de forma independente.

Assim, considerando que os modelos expressam padrões instituídos em sociedade e que hoje as escolhas são marcadas pela necessidade de rompimento de padrões, porque escolher? E, para quê? (…) Já que estes modelos podem ser traduzidos justamente pela manutenção dos padrões que durante muito tempo tolhiram e aprisionaram em nome de verdades estáticas.  

As convenções, que se estabelecem como norma tácita do modo de agir em sociedade, estão aí para orientar o agir humano, no entanto, não dão garantias para ninguém.

De onde se conclui que o momento em que nos encontramos traduz-se pelo descarte dos modelos sócio-culturais. Isto é, pelo abandono das ideologias e pelo apregoamento da emancipação do homem pelo homem em relação aos preconceitos, à opressão, à violência e às várias formas de intolerância.

Ainda não se sabe se essa evolução conceitual levará o homem à humanidade que tanto deseja. Todavia, peca justamente por não incluir nessa nova ordem, o alinhamento geral em favor da vida e pelo respeito a pessoa humana.


Ricardo Cunha

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Categorias:opinião

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