Mona Gadelha – A trajetória

“Comecei a compor antes de cantar. Eu tinha 7 anos, escrevia as letras num caderno e inventava as melodias. Ouvia muito rádio e tomava conhecimento das letras em revistinhas chamadas “folhetim”, vendidas em bancas. Aos 12 anos, tomei coragem, chamei 2 amigos (Germano e Silvana) e fomos cantar num programa da TV Ceará. Participamos duas vezes e nunca mais vi esses amigos. Aos 14, me inscrevi no I Concerto de Rock do Ceará, promovido por uma rádio, cantando com uma banda formada por músicos que conheci lá mesmo.
E aos 16, já fazia parte da “turma do rock” de Fortaleza, com Lúcio Ricardo, Ricardo Augusto Rocha, Siegbert Franklin, Mocó, Ronald Carvalho e tantos outros. Participei da banda “Kaleidoscópio”, com músicas minhas e do Siegbert. Montamos o show “Cidade Blue/Rock Fatal” e nos apresentamos em festivais. Misturava influências do tropicalismo, jovem guarda e punk rock. Depois, produzi o show “Do Outro Lado da Cidade” no Teatro da Emcetur, palco onde voltaria para fazer meu show de despedida de Fortaleza, em 1984.

Em 1979, convidada por Ednardo e Augusto Pontes, participei do show e álbum duplo “Massafeira” (lançado pela CBS, em 1980). Eu estudava no Colégio Cearense e interrompi o cursinho para gravar o disco. Valeu a pena. No Rio, convivi diariamente com uma geração de músicos cearenses e grandes cantoras compositores, como o próprio Ednardo, Rodger e os saudosos Stélio Valle, Petrúcio Maia e Augusto Pontes.
De volta a Fortaleza, passei a compor com o pianista Fernando Marques e nos apresentamos em festivais. Incorporava ao rock e blues, outras referências, como MPB, jazz e bossa nova.

Incentivada pelo cartunista e artista plástico Mino, publiquei um livro de contos, “Contagem Depressiva”, todo ilustrado por ele. Para o lançamento, montei um show no Teatro Universitário de Fortaleza, com participação de Rodger e Téti, Jorge Helder, Lúcio Ricardo e vários amigos da cena musical cearense.

Com uma parada de 4 anos para concluir a faculdade de comunicação social na Universidade Federal do Ceará, voltei a fazer shows em meados de 84, quando montamos o show “Emoções Perigosas” com a banda de mesmo nome (Ronald na guitarra, Luizinho na bateria, Edmundo Jr. no baixo e Ricardo Bacelar no teclado – Cristiano Pinho também tocou guitarra num festival de rock de Natal). Na época, fizemos o show “Cenas de rock explícito”. Foi inesquecível, numa boate chamada Eclipse, com muita gente, artistas, amigos, “loucos” de várias gerações da cidade.

Depois de gravar um compacto simples (“Será que o Céu é Azul?/Tédio Ancestral”) em Salvador com a banda cearense, voltei a Fortaleza para arrumar as malas e vir para São Paulo. Era o final de 85. Cena dark em São Paulo.Madame Satã.

Fui trabalhar com jornalismo, enquanto procurava músicos para montar uma nova banda. Conheci João Alberto e Sérgio Cruz, que se tornaram parceiros em músicas que gravei no primeiro CD solo (“Pobre Rapaz” e “Fugitivo”). Escrevia em editorias de moda, marketing, turismo, negócios e informática.

Depois de passar 4 anos no jornal Meio & Mensagem, onde era editora assistente, fui trabalhar no selo independente Camerati, de Santo André,onde conheci Alexandre Fontanetti e Vladimir Ganzerla, produtores de meu primeiro CD, que saiu em 1996, pela Movieplay.
O disco me deu muitas alegrias. Tocou em algumas rádios no país (as faixas “Cinema Noir”, “Imagine Nós”, “Ingazeiras” e “Cor de Sonho”, esta minha regravação do álbum Massafeira), ganhou um videoclipe dirigido por Fabi Prado e Marcelo “Timtim” Trotta, recebeu elogios da crítica. Rendeu matéria no Video Show, da Globo, especial na MTV. Fiz shows em São Paulo e várias outras cidades para apresentar o repertório, composto basicamente de canções minhas – Rio, Curitiba, Campinas, Santos, Belo Horizonte, Salvador, Recife, João Pessoa e Fortaleza, claro).

Em 1999 veio o segundo disco, “Cenas & Dramas”, produzido por André Magalhães e 3 faixas pelo Alvaro Fernando. Lançado no Teatro Augusta, em São Paulo, incluiu a música “Por Tudo o que for” (Lobão/Bernardo Vilhena), que também tocou em algumas rádios, assim como “Farsantes Amantes” (Marcos Andrada/Wilson Ferreira) e “Mais um Romance” , esta assinada por mim.
O rock “Johnny vai pra guerra?” entrou na compilação “Musicas do Caribe y America Latina”, da Fnac espanhola, distribuída somente na Europa. Com a direção musical do próprio André Magalhães, o show “Cenas & Dramas” foi apresentado em Fortaleza na Praça Verde do Dragão do Mar, em 2000, para uma platéia de mais de 3.000 pessoas.
Desse disco, a cantora Eliana Printes gravou “Crepúsculo de uma Deusa”, que ficou entre as 10 mais tocadas no Rio, nesse início de década. Na época, Eliana participou como convidada em temporada de shows no Teatro Crowne Plaza.

O terceiro CD “Tudo se Move” já saiu pelo selo, editora e produtora Brazilbizz, montado em parceria com Maira Sales (VJ Mrs), em 2004. Produzido por Fernando Moura, Alvaro Fernando, Paulo Bira, Alexandre Fontanetti e pelo saudoso DJ Mau Sacht, também teve um remix do produtor italiano Roby Colella. Com influências de música eletrônica, foi o resultado da convivência com outros sons na Europa, depois da apresentação na Alemanha, em Nuremberg (2002), onde me apresentei em praça pública e numa igreja em ruínas, e passagens por feiras internacionais para divulgar trabalhos de artistas da Brazilbizz em Cannes (Midem 2001 e 2002) e em Sevilha, Espanha (Womex, 2003, onde também fui palestrante com o tema “Como a World Music está transformando a vida de jovens em situação de exclusão social no Brasil”).

Em 2004 também lançamos pela Brazilbizz o primeiro e único CD de Mau Sacht (# 1), um talentoso DJ, engenheiro de som e produtor, que se foi prematuramente. Em 2005, numa homenagem ao Mau, montamos um show no Teatro do Sesc Ipiranga, com uma banda (liderada por Alvaro Fernando e André Namur) tocando todas as faixas de seu belo CD.
Foram muitos projetos criados e produzidos pela Brazilbizz (Jazz na Caixa, Parcerias Musicais, Iracema – Do Épico ao Pop, O Dom do Ciúme, Les Enfants Terrible,entre tantos outros, com vários artistas e escritores, como Fernando Chuí, Fabrício Carpinejar, Luiz Ruffato, Gilmar de Carvalho, Lira Neto, Claudio Willer, Floriano Martins e Marcia Tiburi).

Com “Iracema – Do épico ao pop, uma interpretação sonora de Iracema, de José de Alencar”, que estreou no Sesc Vila Mariana, em 2002, me apresentei em vários eventos dedicados à literatura, como a I Festa do Livro do Ceará e 52ª Feira do Livro de Porto Alegre, em 2006. O show lítero-musical foi inspirado num perfil biográfico de José de Alencar, que escrevi a convite de Lira Neto, para a coleção Terra Bárbara, da Fundação Demócrito Rocha.

Em 2008 participei da bela homenagem de Alvaro Fernando a Cartola no CD e show “Cartola para Todos”, cantando “Ciência e Arte” (Cartola/Carlos Cachaça), dirigido por Flávia Moraes e com participação dos Meninos do Morumbi.
No mesmo ano montei o projeto “Movimentos Musicais e Juventude no Brasil – Jovem Guarda e Tropicália”, que fez o circuito dos CEUs, em São Paulo. Antes estive no Festival de Inverno de Paranapiacaba e Festival das Artes do Sesc no Cariri, neste com o show “Tudo se Move na Terra em Trânsito”, ao lado de Moisés Santana.

Participei, com muita honra, das comemorações do aniversário de Fortaleza e dos 30 anos de Massafeira, cantando ao lado de Ednardo e músicos cearenses na Praia de Iracema para mais de 5 mil pessoas. Ainda no Ceará, me apresentei no I Festival do Camarão,em Acaraú.

Em 2009 surgiu também a vontade de gravar canções inéditas. Com um quarteto formado por Alexandre Fontanetti (produtor do CD, guitarra e violão), Curumin (bateria), Fernando Nunes (baixo) e Zé Ruivo (teclados), fizemos meu quarto disco, “Salve a Beleza”, lançado em janeiro de 2010.

O primeiro show deste ano foi em 8 de março, nas comemorações do Dia da Mulher, na Praça do Ferreira, em Fortaleza, com um repertório diferente, que incluía canções dos 4 discos e verdadeiros hinos femininos, como “Tigreza” e “Divino Maravilhoso” (Caetano Veloso).

Nos últimos três anos (de 2009 a 2011), além dos projetos de música/literatura e da Brazilbizz, me dediquei ao CD “Praia Lírica – um tributo à canção cearense dos anos 70”, ao lado do pianista Fernando Moura, autor dos arranjos. O disco foi lançado no Teatro José de Alencar, em Fortaleza,CE, com participação de bailarinos e teve apoio do BNB e do Governo do Ceará.
Em dezembro de 2011 realizamos o show de abertura do Reveillon de Fortaleza, a convite da Prefeitura, com repertório do “Praia Lírica” e canções de meus outros discos.
Em 2012, depois da temporada de shows do álbum “Praia Lírica” em São Paulo, Rio e Fortaleza, produzi com Alexandre Fontanetti meu sexto álbum, “Cidade Blues Rock nas Ruas”, lançado no Sesc Belenzinho,SP, em 2013.
A música é o que me move. Por ela, todas as dificuldades são superadas e, no palco, só a luz me guia. Agradeço a todos que acompanham meu trabalho em toda essa trajetória.”


Referências:

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