blue note: O Jazz no Mundo

3A palavra jazz evoca percepções diversas. Quem entende mais ou menos o que significa, pode querer associá-la a virtuosismo (ou presunção, ou hermetismo). Há quem se arrisque a traduzi-la por “qualquer forma musical instrumental não clássica”.
Como o jazz nasceu nos Estados Unidos, seria natural aceitar que seja “coisa de americano” – mas isto é uma meia-verdade. Sim, nasceu há mais de 100 anos em New Orleans e proximidades (estendendo-se em seguida até Chicago e Nova York), mas, atualmente, é uma manifestação artístico-musical dotada de uma universalidade difícil de delimitar.
O conhecimento que se tinha de música clássica no início do século XX se aliaria a várias tradições populares, principalmente afro-americanas. As primeiras expressões jazzísticas eram visíveis por meio daqueles instrumentos básicos de bandas marciais (metais, palhetas e percussões).
O termo jazz passou a ser usado no final dos anos 1910 e início dos anos 1920 para descrever um tipo de música insubmissa e irreverente praticada sem grandes pretensões pelos negros do sul dos EUA.
Esse viés étnico-racial, porém, logo perderia validade, pois tudo o que transborda universalidade – é o caso do jazz – não consegue sobreviver muito tempo em geografias estreitas.
O fato é que essa forma de arte se espalhou por todos os cantos da Terra e absorveu em sua orquestração praticamente tudo o que pudesse emitir sons em escalas: de clarinete a acordeão; de trompete a xilofone; de piano a cavaquinho; de bateria a voz (a voz, no jazz, é um instrumento como qualquer outro, aliás).
Ao tentar cercar um conceito por suas aparências e por seus registros consolidados, pode ficar parecendo que o jazz contemporâneo nada mais é do que “qualquer maneira inclassificável de tocar – e, por consequência, de improvisar”. Não é bem assim. Os parâmetros, apesar de bem abertos, existem.
Além disso, o jazz teve fases, épocas e marcos que geraram subgêneros com nomes esquisitos como dixieland, swing e bebop. Ao longo do século XX, preservou suas raízes americanas, mas agora com um espectro internacional.
Dizer “jazz americano”, hoje, é uma redundância, portanto; e tentar categorizar o jazz por país – “jazz italiano”, “jazz australiano”, “jazz russo”, etc. – seria um equívoco, afirmam os estudiosos.
Entretanto, existe um rótulo – um selo de qualidade, na verdade – que há mais de 30 anos circula por todos os continentes: jazz brasileiro (assim mesmo, sem aspas).
O jazz brasileiro (ou música instrumental brasileira) é aquela estranha espécie de exceção que existe exatamente para não justificar a regra.
                                                                                                                      Thiago Cortes
Zuza Homem de Mello
“Os músicos argentinos, por exemplo, improvisam rigorosamente como os americanos. Assim é no Chile, na França, etc. Em termos de liberdade e absorção dos elementos culturais nacionais, Cuba é o único país em que a prática jazzística se assemelha à do Brasil”, analisa o pesquisador Zuza Homem de Mello, autor de Música nas Veias (Editora 34) Eis Aqui os Bossa-Nova (Martins Fontes).
O que difere os instrumentais brasileiros dos cubanos é a diversidade de melodias e ritmos. “Os cubanos fazem recriações principalmente em cima do son, um gênero bem deles, enquanto os brasileiros conseguem reinterpretar uma variedade incrível de estilos e formas.” Para o pianista Amilton Godoy, do Zimbo Trio, o jazz brasileiro é um dos mais interessantes do mundo: “Até pela nossa miscigenação mesmo. E, cá para nós, as melodias brasileiras são infinitamente mais ricas que as cubanas”.
Para entender mais sobre o Jazz:
Eric Hobsbawm
Zuza Homem de Mello
Ruy Castro
Carlos Calado
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– Reproduzido da  Revista Almanaque Saraiva

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