Darkside: três décadas a serviço da música pesada no Brasil

Fundada em 1991, mais ou menos na mesma época em que comecei a ouvir rock,  a banda Darkside é uma das pioneiras do heavy metal no estado do Ceará. Tanto pelo histórico de lutas quanto pela postura dos caras, sempre nutri o maior respeito pela banda. Na verdade, sentia como devesse este texto. Mais do que meras palavras, uma homenagem pela dedicação e persistirem num trabalho que envolve mais amor à música do que recompensas materiais.

fragment_sNo mesmo ano de sua formação, no qual o país ensaiava sua abertura econômica, – e isso mudaria muito as coisas no micro-cosmos do rock local, lançam Fragments of Time (1991), demo tape que continha quatro músicas: Hare Krishna, Suicide, Spiral Zone e Fragments of Time.

gates_Gates to Madness, demo tape de 1993, tinha quatro músicas: Intro/Storms, Gates to Madness, Inferno, The Guardian, Blessed by the Dark. Embalados pelo lançamento, a banda se apresentara ao lado de Angra [SP] e Deadly Fate [RN] em Fortaleza. E, precisamente este, foi meu primeiro espetáculo de heavy metal, portanto, um marco na vida deste que vos escreve. Dessa forma, daquela data em diante passei a acompanhar a banda mais de perto.

Blessed by the Dark, Demo de 1996, continha duas faixas, Mindstorm e a faixa auto intitulada. Ambas as composições fortemente influenciadas por sons da época como Megadeth, Motorhead e Blitzgrieg. Ao vivo a Darkside fazia performances cada vez melhores e numa dessas, ocorreu outro show marcante: quando tocaram ao lado de Genocídio (SP) e Restless (DF). Com produção de alto nível, aquela foi mais uma noite memorável.

A cena evoluíra e, havendo a banda feito shows de abertura para grandes nomes nacionais, conquistaram lugares para tocar e um bom número de seguidores. Todavia, a Darkside se viu obrigada a dar uma pausa nas atividades. Nesse intervalo, surge a Heritage (banda também liderada por Tales), que acaba absorvendo algum material da Darkside nas performances ao vivo, e que, em pouco tempo ganhou notoriedade junto aos fãs.

blessed2No ano 2.000, a Darkside com os fundadores Tales Groo e Aurélio Hulk, contando com alguns membros da Heritage. Relançam a demo tape Blessed by The Dark, agora em CD, e com novas mixagem, masterização e arte. Em 2003, com vistas à promoção de Eclipsed by Soul, que seria o primeiro álbum completo da banda, os caras lançam a promo Shades of Decay. Uma espécie de advanced CD contendo duas faixas (Mindstorm e Shades of Decay), do material que viria a ser lançado na sequência. A demo mostra a banda mais aprimorada tecnicamente.

eclipsedPor falta de apoio, Eclipsed Soul, não foi lançado como o primeiro álbum oficial e acaba sendo saindo em 2004 como mais uma Demo. O material compila músicas de trabalhos anteriores acrescido das músicas Hate Bellow the Skies, Belial, e uma versão acústica para Eclipsed Soul.  O “disco” vem em boa hora e funciona como uma injeção de ânimo no grupo, que cai na estrada novamente.

Entre 2006 e 2010 ocorreram, novamente, algumas reformulações e a banda se apresentava esporadicamente. Todavia, houve muitos momentos memoráveis e um deles certamente foi atuar como open act para Helloween & Gamma Ray diante do maior público da tour brasileira, ocorrida em 2008.

prayersPrayers in Doomsday, gravado em 2011, mas somente lançado em 2012, é o primeiro álbum completo da banda, e dele, já fiz resenha aqui no blog. Para simplificar, posso afirmar que “Prayers…” é um excelente disco, com composições altamente heavy metal mas que, apresentou uma produção pouco exigente. A banda perdeu um pouco em resultado no estúdio, mas ao vivo, soava poderosa. Destaque para as excelentes Born for War, Cursed by the Dawn e Crossfire.

Fazem shows de abertura para a lenda britânica Saxon em Fortaleza e em Curitiba. Tocam também em São Paulo, Manaus, Mossoró, Natal, Campina Grande, Belém e no interior do Ceará.

Na sequência, ainda na divulgação de “Prayers”, 2013 assinala baixas na banda. Logo no início do ano o vocalista Alex Eyras, deixa a banda depois de cinco bons anos a ela dedicados. Com seu timbre agudo, Eyras, dava o tom melódico à banda. Posteriormente, mais para o final do ano é a vez, do guitarrista Helder Jackson, que partiu por motivos profissionais.

O ano de 2014 também preparou surpresas para a banda: por motivo de direito de propriede de marca, a banda alterou a grafia do nome de Darkside para Dark Syde, trocando o “I” por “Y“. O que, entretanto, se manteve apenas durante o ano de 2015.

dark-syde_legacy-of-shadows-500x500No lado bom, 2014 também os presenteia com o lançamento de The Apocalypse Bell Part II – Legacy of Shadows, o segundo disco, que mostra a banda pronta em todos os aspectos. Pelo resultado obtido no estúdio, diria que esta seria a lineup definitiva. As composições estão mais violentas, sujas, altas e lindamente audíveis. Interessante notar que há poucos solos de guitarra, o que não pormenoriza em nada o disco. Agora com Marcelo Falcão no vocal, a banda soa mais brutal apresentando um trabalho assumidamente Thrash metal. Destaque para as músicas Legacy Of Shadows e Scape from the Doom Desert.

15151213_10205869806984130_2118424820_n-1Gravado na apresentação feita como open act para o Blind Guardian no Siara Hall, em 2015, “Darkside – Live At Siara Hall” é o último registro lançado pela banda. O disco contém apenas seis músicas que, apesar de poucas para um “Ao vivo“, atingem a finalidade pela boa produção e principalmente pela fidelidade na execução, das músicas. A parte gráfica do CD também está no capricho e, só pra constar: interessante é notar como o plano de fundo dos germânicos acabou servindo para a composição da fotografia dos cearenses. Também fizeram a abertura do show do Onslaught em janeiro deste ano (2017).

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Fragments of Madness… At the Gates of Time, o novo álbum, que vem coroar as três décadas de atividades que a banda está prestes a completar, pode muito bem simbolizar um tributo à adversidade e à persistência. O disco encontra-se inteiramente gravado e trará releituras das músicas gravadas nos anos 90, originalmente contidas nas fitas Fragments of Time e Gates to Madness. A gravação traz a participação de três bateristas, três baixistas e, nada menos do que, cinco guitarristas que ajudaram, em maior ou em menor grau, a construir no nome da banda.  A formação que gravou o disco conta com Marcelo Falcão (Voz), Tales Groo (Guitarra), Anderson Menezes (Guitarra), Kaio Castelo (Baixo) e Bosco Lacerda (Bateria).

Infelizmente, assim que as gravações terminaram, houve uma completa reformulação na banda, restando apenas o fundador, Tales Groo e o baixista Kaio Castelo que, aguardam a prensagem do novo álbum. Enquanto isso, testam novos componentes e preparam um álbum para 2018.

Nesses, quase trinta anos de atividade, a Darkside se propôs ao enfrentamento de todo tipo de adversidade. Assim como a maioria das bandas underground, batalhou pelo reconhecimento e pelo direito de se expressar como artistas de um gênero musical no qual o amor à música é posto a prova todos dias. O tempo, mais do que qualquer palavra, aqui escrita, pode melhor responder as várias questões feitas diariamente por todos aqueles que partilham desses ideais. Fazer música no Brasil é uma tarefa árdua e, justamente por isto, completar três décadas de atividade é coisa para poucos. Dessa forma, por todos os motivos citados, pode-se dizer que a banda chega à maturidade se firmando como um nome de peso, força e integridade no metal nacional.


Referências:                                Agradecimento:

2 respostas

  1. Excelente resenha. A figura máxima dessa banda, groo, continua incansavelmente em que acredita, e isso, faz de nós, que acompanha o underground, bastante satisfeito pela capacidade de criação desse guerreiro. Ainda veremos Darkside botando pra fuder no mundo afora com seu puta som.

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