Perfect Symmetry – Fates Warning

“muitas razões pra gostar”

O álbum Perfect Symmetry (1989) acaba de ser remasterizado para relançamento que agora sai em versão extra-luxo em vinil de 400g que inclui caixa de papelão especial cuja impressão das artes se dá de dentro para fora, pôsteres de arte frente e verso de 60x60cm e inserções de 250g. Os CDs digipak incluem folhetos com cinco faixas bônus cada!

fw99Então, por ocasião desta reedição, decidi fazer algo que há muito queria: escrever sobre este disco maravilhoso. Pra começar, é difícil acreditar que o Fates Warning já existe há 25 anos e que, durante esse período, eles tenham se tornado uma das bandas de metal progressivo mais influentes do gênero, em grande parte devido à sua capacidade de não permitir que o som se estagnasse e constantemente buscasse inovar sem copiar outras bandas. É um testemunho do talento de uma banda quando você pode voltar 25 anos e descobrir que quase não há dois álbuns iguais e que cada um tem personalidade. O único problema é que muitos desses álbuns mais antigos começaram a soar com os padrões atuais, mas, felizmente, o selo da banda reconheceu isso. Quando seu álbum de estréia, Night on Brocken, atingiu a marca de 20 anos, a Metal Blade Records o remasterizou para consertar o problema e até reeditou o conteúdo com bônus. Desde então, eles fizeram a mesma coisa em cada lançamento subseqüente, levando finalmente à reedição de Perfect Symmetry, que (a meu ver) é provavelmente a mais significativa na linha de reedições por 3 (três) razões:

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A PRIMEIRA é que este é provavelmente o último álbum a exigir qualquer tipo de remasterização, já que todos os futuros álbuns tiveram produções muito melhores, enquanto que este álbum se beneficiou dos sutis ajustes que permitiram que mais profundidade e clareza fossem introduzidas na mixagem. O áudio remasterizado permitiu que as linhas técnicas de baixo brilhassem de uma forma que originalmente não conseguiam, além de dar muito mais profundidade e um som muito mais claro ao baterista Mark Zonder. A SEGUNDA é que as duas últimas faixas demo do segundo disco trazem o baterista original, Steve Zimmerman (Night on Brocken e No Exit), tentando tocar músicas deste álbum. Aqueles familiarizados com a história da banda já sabem que Steve Zimmerman não acabou gravando neste álbum e foi substituído por Mark Zonder. Caso alguém esteja se perguntando como Steve o fez em relação a Mark, vamos apenas dizer que se você está namorando Ashley Simpson e você pode fazer o upgrade para Jessica, você faz (rs).

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Eu não estou tentando dizer que o Steve não está tocando porque ele é não foi um bom baterista nos álbuns que ele tocou, mas que Mark zonder, no Perfect Symmetry, ajudou a derrubar as influências tradicionais do metal e fez a banda se concentrar num som muito mais preciso para o qual Zimmerman simplesmente não era adequado, e a demo  em questão só confirma que mudar para Mark Zonder foi uma boa escolha. O estilo de Zonder neste álbum, combinado com essa precisão fria traduziu-se em um sentimento de solidão e medo musicalmente. As letras aumentam a atmosfera fria e insensível criada pela música, utilizando um tema consistente de tecnofobia e medo de conformidade, enquanto ao mesmo tempo exibem um medo de isolamento também. Uma música como “Part of the Machine”, com seus riffs muito angulares, bateria tecnicamente precisa, múltiplas mudanças e letras ansiosas é facilmente um bom exemplo desse aspecto frio e técnico e também é uma ótima faixa de abertura.

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A TERCEIRA razão pela qual este álbum é considerado tão significativo antes mesmo da reedição é porque este foi o último álbum a apresentar Frank Aresti contribuindo para a composição da música antes que o líder da banda, Jim Matheos, assumisse o controle total. A World Apart e The Arena foram ambas escritas por Aresti e apresentam uma visão diferente sobre o mesmo tema, dando ao álbum um pequeno alívio da atmosfera opressiva. Independentemente de quem escreveu as músicas, elas são todas de alta qualidade, abrangendo a linha entre metal e progressivo, mantendo uma sensação muito fria e calculada devido a arranjos estranhos, riffs angulares, passagens limpas de guitarra, baixo rítmico e muito padrões inventivos de bateria.

Agora, vamos aos BÔNUS: 

O disco 2 desta reedição apresenta músicas demo de todas as faixas, que provavelmente serão mais interessantes para os fãs de primeira hora do que para os demais, mas ainda assim valem a pena. Apesar do fato de que elas são demos, a maioria das músicas tem boa sonorização e mostra um pouco do processo evolutivos das composições. O interessante é que a maioria dessas músicas eram mais pesadas na pré-produção e também continham mais partes, fazendo com que fossem ainda mais técnicas do que acabaram sendo. As músicas demo mais interessantes são as duas últimas com o baterista original Steve Zimmerman. Como eu já falei anteriormente, essas duas músicas mostram que ele teria diminuído a qualidade deste álbum, já que suas batidas e ritmos eram muito convencionais para o som que a banda eventualmente alcançaria.

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O disco final é um DVD de 90 minutos com músicas ao vivo de vários lugares e de qualidade variável. Todas as performances têm qualidade de vídeo doméstico, no que diz respeito aos visuais (tudo é perceptível, apenas granulado), mas o áudio é bom o suficiente para que você possa ouvir a música clara o suficiente para que não pareça um material feito nas cochas. Este DVD é significativo por algumas razões, a primeira é que este é o único DVD ao vivo disponível com a formação do meio da era, e também porque é a última vez que muitas das músicas antigas foram tocadas ao vivo. É incrível poder ouvir o atual vocalista, Ray Alder, assumir o material da época do John Arch. Sem culpa alguma, Ray simplesmente não consegue acertar aquelas melodias vocais estranhas e aleatórias que John originalmente cantou e então ele injetou mais agressividade nos vocais quase saindo como Rob Halford da era Painkiller, mas com um pouco menos de controle.

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Mais uma vez, Fates Warning é uma das bandas mais influentes em seu gênero e esta reedição é apenas mais uma das muitas justificativas dos motivos que fazem valer a pena adquirir este material composto de todos os bônus, extras e adicionais. Quando você considera o aumento de clareza e de fundo, o fato de que este seria o último lançamento verdadeiramente orientado para a banda com esta formação e que é facilmente o álbum mais progressivo deles até agora você tem um álbum que qualquer fã de metal progressivo já deveria ter e/ou querer ter. Quando você adiciona o segundo disco de demos que também inclui o baterista original, bem como o único DVD ao vivo que apresenta a lineup da era média tocando as músicas antigas e novas, você tem um produto que já podia ser considerado clássico e que agora, está a sua mão. Se você gosta desse estilo, mas, sem toda aquela “masturbação instrumental” que muitos praticam, então você deve fazer tudo o possível para obter isse re-issue.

 


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