Cannibal Corpse: mais velho, mais sábio e tão malvado quanto antes

Aproveitando a passagem da banda pelo país, para um giro que totalizará 22 apresentações na América do Sul, com 9 datas no Brasil, fizemos uma revisão da sua trajetória com ênfase nos discos mais populares:

dsc_4923-2Formado em 1988, na cidade de Buffalo/Tampa a banda Cannibal Corpse ajudou a criar, dar forma e a transcender o estilo death metal com o escatalógico Eaten Back To Life (1990). Deixando boquiabertos inquisidores, ​​pais de família e até políticos, o registro produzido por Scott Burns foi mais extremo e confrontador do que qualquer coisa que o gênero metal já conheceu. Como resultado da arte de capa brilhantemente horripilante da banda, letras horríveis e títulos de músicas como Hammer Smashed Face, Meat Hook Sodomy e Addicted To Vaginal Skin, os discos seguintes Butchered At Birth (1991) e Tomb Of The Mutilated (1992) foram recebidos com maior desprezo pelos órgãos de censura como o PMRC. Em apenas três anos, as vendas da banda foi (temporariamente) proibida na Austrália, Coréia e Nova Zelândia (na verdade, a venda de Butchered At Birth e a execução desses três registros ainda é proibida na Alemanha).

37732939_1853765201377407_8316163188890533888_nDemonstrando destreza com os instrumentos, vocais diabólicos e gosto por serial killers, zumbis e por gore em geral, o Cannibal Corpse conquistou os corações de muitos “True metalheads” e desde então se tornou um nome familiar para uma legião de fãs. Desde o início, a banda vendeu milhões de álbuns em todo o mundo e não mostra sinais de desaceleração nem faz reverência a qualquer gênero de metal. Grandes turnês pelos Estados Unidos e Europa, Austrália e América do Sul só ressaltaram o poder de longevidade da banda … e tudo isso sem amparoo da indústria da música e tendo gravado poucos vídeos (embora a banda tenha aparecido no blockbuster de Hollywood, Ace Ventura – Detective de Animais) .

dsc_4871-2A banda continuou subindo no conceito dos fãs com o lançamento em 1996 do Vile, o primeiro disco do Cannibal a contar com o ex-vocal do Monstrosity, George “Corpsegrinder” Fisher, após a saída de Chris Barnes. Qualquer ceticismo sobre a nova voz por trás do poderoso Corpse foi rapidamente posto de lado. Sobre o disco, para simplificar, Vile é mortal do começo ao fim e se tornou o primeiro disco de death metal a entrar nas prestigiadas paradas da Billboard. Ao longo dos anos, sempre na estrada,  trabalhando muito e fazendo gravações progressivamente mais potentes, a banda aumentou sua popularidade junto ao público underground de todo o globo.

dsc_4895-2-2Após o sucesso massivo de The Wretched Spawn em 2004 e algumas mudanças de formação (o guitarrista de longa data Jack Owen deixou a banda após a gravação do disco para priorizar seu projeto de rock, Adrift), Jeremy Turner preencheu a lacuna durante as turnês restantes naquele ano, antes do guitarrista Rob Barrett, que fizera parte do grupo anteriormente, voltar à banda como integrante em tempo integral. Dessa forma, a banda volta à linha de frente do Death Metal com o seu som extremamente pungente.

 

dsc_4924-2Simplesmente intitulado, mas meticulosamente pensado, Kill (2006) foi gravado com o produtor Erik Rutan (Hate Eternal / ex-Morbid Angel) no Mana Studios em St. Petersburg, Flórida. Neste décimo registro, todas as faixas são preenchidas por temas que remetem a mentes maníacas. Desde a faixa de abertura The Time To Kill Is Now, os guitarristas Barrett e Pat O’Brien, o vocalista George “Corpsegrinder” Fisher, o baixista Alex Webster e o baterista Paul Mazurkiewicz trabalharam duro com um renovado senso de urgência. Rápido, furioso e escrupulosamente cronometrado, a melodia é um lembrete concreto de que o canibal continua a ser uma força imbatível. Make Them Suffer lembra o som old school do bom e velho Possessed (uma banda para a qual o Cannibal prestou homenagem em várias ocasiões), enquanto Necrosadistic Warning, revela a destreza de O’Brien nas guitarras. Outras faixas, como Five Nails Through the Neck, Death Walking Terror, Brain Removal Device e a instrumental Infinite Misery, são os pontos fortes do disco.

CC99

Foto oficial

Em 2009, lança Evisceration Plague, um disco cuja sonoridade parece idêntica a todos os trabalhos feitos anteriormente, no entanto, se você me perguntar o que torna este disco do resto da discografia da banda, eu diria que são as guitarras. Nele ouvimos riffs intensos, técnicos, sólidos e musicalidade excepcional para uma banda de death metal. Em Torture, de 2012, os caras fazem experimentam mais e conseguem ser criativos sem extrapolar os limites do estilo. A Skeletal Domain (2014) é tudo o que um disco do Cannibal Corpse deveria e precisa ser. Não há nada realmente novo, apenas death metal puro e simples no melhor estilo Cannibal Corpse.

CC01Red Before Black (2017): quando o Cannibal Corpse surgiu no final dos anos 80, sua música foi uma das mais extremas já conhecidas até mesmo pelos fãs mais radicais do estilo. Como dito anteriormente, eles foram pioneiros no gênero e sempre levaram suas atitudes extremas até o limite da sanidade. Com suas capas mal desenhadas sempre retratando zumbis em atos obscenos e/ou simplesmente gore, conceitos que fazem apologia à tortura e à morte, a banda já se colocou em algumas dificuldades legais em certos países. Apesar disso, quase 30 anos depois eles continuam sendo um marco do gênero. Em seu 14º e último álbum de estúdio, eles não amadureceram – no bom sentido, claro. Tome como exemplo títulos de músicas como Heads Shoveled Off e Scavenger Consuming Death que irá entender o que digo. Com uma carreira tão uniforme, creio que o maior desafio para uma banda como Cannibal Corpse seja permanecer fiel ao estilo que a consagrou e ainda ter lenha pra queimar. Assim, o grupo chega à sua melhor idade, mais velho, mais sábio e tão malvado quanto no começo.

Atualmente a banda é formada por Alex Webster (baixo), Paul Mazurkiewicz (bateria), Pat O’Brien (guitarra), George “Corpsegrinder” Fisher (vocal) e Rob Barrett (guitarra).


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Categorias:death, metal

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