Immortal – Northern Chaos Gods

Nunca pensei no Immortal como uma banda de fases. Explico: as coisas mudaram quando Horgh (Reidar Horghagen) assumiu a bateria em 1997. Depois, mudaram ainda mais quando Abbath (Olve Eikemo) assumiu as composições e a guitarras após o afastamento de Demonaz (Harald Nævdal) por motivo de tendinite. Mas nunca pensei nessas pequenas alterações como algo mais complexo do que a evolução natural das coisas. É bem verdade que, em seus primeiros dias, a dupla Abbath / Demonaz lançou alguns dos discos mais cruéis que o gênero já produziu. Quando Abbath assumiu a liderança, então, o som deles foi mais além. Mas, agora que Abbath se foi – talvez – para sempre e Demonaz está de volta, eu me dei conta de que Immortal  é uma banda de fases. Mas, o que esta nova fase nos trará?

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Nos últimos onze anos, o Immortal tem se estabelecido lentamente, mas não silenciosamente, com uma postura de liderança na cena black metal mundial. Com a saída de Abbath, o mundo do black metal passou a dar mais atenção a banda após o retorno da mesma, que parece, está na sua fase mais maléfica. É tanto que a banda se define atualmente como uma cobra sem cabeça, abraçando e estrangulando a todos os seus oponentes sem remorso nem tristeza. Com este novo disco, o Immortal retorna um passo à frente para reconquistar o trono abdicado.

A despeito de todas as fases, desde o começo em 1991, a banda em essência, sempre buscou fazer uma música fria e crua. E sua proposta musical e visual é basicamente a mesma até hoje: espinhos, cadáveres e som cáustico para arder os ouvidos dos descrentes. Suas influências revelam a admiração inegável por Bathory, Venom e Slayer e estas se fazem presentes nos seus primeiros trabalhos, como fica evidente em Diabolical Fullmoon Mysticism. Todavia, felizmente elas são perceptíveis em Northern Chaos Gods

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Apesar de ser essencialmente uma banda de dois homens, o Immortal criou um universo próprio a partir de si mesmo, escrevendo músicas gélidas, rápidas e cativantes carregadas de letras fantasiosas sobre um lugar místico e gelado conhecido apenas como Blashyrk. No entanto, os anos se passaram e esse universo parece ter se dilatado de modo a engolir os seus criadores. Os músicos separaram-se a amadureceram de formas diferentes. Mas quando tudo indicava que a banda seria sepultada, quando ninguém mais esperava, eis que retornam com um álbum digno dos seus primeiros dias.

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Para este que vos escreve, Northern Chaos Gods (2018) é uma obra na qual a poderosa energia negra da banda está mantida. E, pra surpresa de muitos, o nível de rispidez parece ainda mais exacerbado, dando a impressão de que a banda mantém sua formação clássica. Os riffs afrontadores, a energia caótica e o implacável gosto por destruição estão presentes. Aqui, a banda encontrou uma forma de se reinventar assimilando os próprios erros e se utilizando de uma sabedoria de quase trinta anos de estrada. Aperfeiçoou uma fórmula vulgarizada pela própria experiência em virtude de que a mesma havia extrapolado os limites do underground. É realmente uma pena que Abbath (substituído neste disco por ninguém menos que Peter Tägtgren (Hypocrisy)) tenha deixado a banda, mas parece que era disso que a banda precisava para passar para a próxima fase. E eles conseguiram!


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