Mastodon – Parte 7: Once More ‘Round The Sun

Parte 6: The Hunter

“Muito mais um estilo do que uma tendência conduzida pelas modas”

Num ano em que grandes bandas lançaram álbuns excelentes, como é o caso de Judas Priest (Redeemer Of Souls), Opeth (Pale Communion), Behemoth (The Satanist), etc… O Mastodon segue em seu caminho absorvendo e transformando a tudo. Seu sexto álbum, Once More ‘Round the Sun, enterra definitivamente o amor pelas histórias conceituais e elevaa banda a um estatus de independência que provoca, ao mesmo tempo admiração e desapontamento por parte dos fãs.

Once One “Round the Sun (2014) apresenta a banda flexionando cada vez mais as vocalizações, inclusive, experimentando no sentido de que todos no grupo adicionassem suas vozes a uma música ou outra. Claro que a maioria das músicas continuam sendo cantadas pelo guitarrista Brent Hinds e pelo baixista Troy Sanders, mas agora o guitarrista Bill Kelleher e, em particular, o baterista Brann Dailor ganharam muito mais abertura. E, precisamente neste disco, um traço particularmente marcante para este que vos escreve, é que a banda nunca pareceu soar tão vibrante e em sintonia.

Ao que parece, o grupo ganhou mais unidade e, a partir disso, escreveu uma série músicas “pegajosas” (no bom sentido, claro) carregadas de um groove slugde-metálico. O que, para mim, simboliza pura e simplesmente que os caras se libertaram de muitos dos preconceitos aos quais a maioria das bandas do cosmos metálico está submetida. Támbém é verdade que, em mais do que qualquer outro disco, este está mais acessível no sentido comercial mesmo. Mas talvez seja a hora certa de acordar para uma nova realidade em que não existe mais espaço para radicalismos.

Não que o álbum seja completamente “leve” musicalmente falando, mas, no qual é notório o ajuste consensual quanto ao sentido e a direção das novas músicas. O que para mim, só fortalece o caráter de “foda-se” que o grupo manda tacitamente para a indústria musical que, por sinal, parece estar sempre ligado. Seu som típico toque está mantido, assim como sua preferência por arranjos ecléticos, e outras esquisitices que parece só funcionar com eles. Aliás, é por essas e outras que a música da banda sempre me chegou como uma audição estranha e irresistível.

Em resumo, Once More ‘Round The Sun é um disco temperado com emoções conflitantes, contrastes e reviravoltas que muitas vezes deslocam o eixo sobre o qual sustentam-se nossas teorias sobre música e talvez seja justamente isso que mais nos incomoda, visto que parece nos devolver (com mais força) os preconceitos que mutuamente alimentamos.

Por fim, os destaques, que foram escolhidos de critérios opostos, são: Feast Your Eyes e Chimes at Midnight, as mais pesadas; Diamond in the Witch House, a mais longa e a mais estranha; e Aunt Lisa, a mais dispensável do disco. Como conclusão, temos que, a julgar por toda atenção que banda vem recebendo da mídia especializada e por toda a produção artística dedicada ao grupo, os caras talvez estejam sujeitos a muito mais pressão do que no passado. Todavia, se a sua música se tornou mais acessível de um lado, de outro, se firmou muito mais como um estilo do que como uma tendência conduzida pelos movimentos modais. E, logicamente, isso não agrada a muita gente, mas essa é a principal característica do rock como instrumento de oposição ao que representam as convenções.



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